terça-feira, 10 de agosto de 2010

A Doença de Parkinson

Ao contrário do que o nome sugere, o médico inglês James Parkinson não protagonizou nenhum caso extraordinário de doença. Apesar de ser portador de gota, o médico britânico ficou conhecido após observar em alguns pacientes um quadro neurológico peculiar. Apareciam em seu consultório pessoas, geralmente com mais de 50 anos, que apresentavam certa dificuldade para andar, frequentemente arrastavam os pés e inclinavam o corpo para frente. As mãos tremiam e ouvia-se ranger dos dentes. Os músculos do corpo todo aparentavam rigidez, o que não lhes concebia expressão facial e dificultava a fala. James resolveu então estudar aquilo que chamaria de Shaking Palsy (Paralsia Agitante). Mais tarde, a doença recebeu o nome de Doença de Parkinson para homenageá-lo.

Os sintomas descritos acima, são fruto de uma degeneração que acontece no sistema nervoso central. No cérebro existe uma zona de controle dos movimentos e da postura, chamada de corpo estriado (striatum). Esse controle é feito ativando a produção de dopamina ou a produção de acetilcolina. Enquanto o primeiro é inibitório, o segundo é estimulante no corpo estriado. Na Doença de Parkinson há diminuição da concentração de dopamina, tornando o estriado excessivamente ativo, causando dificuldade no controle dos movimentos. As duas figuras abaixo ilustram a comunicação normal (esquerda) e a comunicação deficiente (direita) das células controladoras do movimento no cérebro.




LEGENDA: 1. Acetilcolina; 2. Célula nervosa; 3. Dopamina

Essa falta de dopamina pode ser derivada da morte de células produtoras de dopamina, da destruição de axônios ou dendritos que fazem a comunicação entre elas e o striatum, ou de falha sináptica. A falha na sinapse, pode ocorrer por exemplo, quando há problema nos receptores que estimulam a produção de dopamina na célula, comum em casos de uso excessivo de determinadas drogas.

-> Caminho percorrido pela dopamina no cérebro

Atualmente, são utilizados apenas tratamentos para amenizar os sintomas. Utilizam-se precursores da dopamina para aumentar sua produção, ou então inibidores da produção de acetilcolina. Isso ameniza a rigidez muscular e melhora o controle dos movimentos. Além disso, são utilizados antidepressivos, pois a dopamina também é responsável pela sensação de bem estar do indivíduo (leia mais no post Um Pouco de Dopamina ). Em casos extremos, o paciente pode ser submetido a procedimentos cirúrgicos onde são retiradas partes do cérebro responsáveis pelo movimento, ou introduzidos eletrodos para estímulo elétrico dos neurônios.

Pesquisas recentes, realizadas na Universidade da Califórnia, apontam para as células tronco como uma possível cura para o segundo caso de Doença de Parkinson citado acima. Os cientistas transplantaram células de embriões de rato para o estriado de um rato adulto com a doença. As conexões originais, não foram refeitas, no entanto as células se diferenciaram em interneurônios inibitórios, que utilizam os neurotransmissores GABA (leia mais no post GABA e Glicina), diminuindo o excesso de excitação na região. Com isso, os ratos melhoraram sua caminhada, aumentando a velocidade e o tamanho dos passos.

Apesar da cura para a doença ainda não existir, os portadores de Parkinson podem buscar adequar sua vida, praticando alguns exercícios físicos e aprendendo a lidar com os sintomas. Abaixo, um vídeo do ator Michael J. Fox, portador da doença há mais de dez anos. Apesar dos sintomas visíveis, ele procura encarar a vida com naturalidade e bom humor.




Espero que tenham aprendido um pouco sobre a Doença de Parkinson. Em breve mais postagens!

Abraço

Caio César Carvalho – MED 91

Referências Bibliográficas:
http://www.doencadeparkinson.com.br/
http://www.sistemanervoso.com/pagina.php/?secao=6&materia_id=104&materiaver=1
http://www.parkinson.med.br
http://www.neurocenterbh.oi.com.br/pacientes/pc_parkinson.html

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