quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Cafeína

Boa noite!

Hoje vou falar um pouco sobre a cafeína, uma das drogas lícitas mais utilizadas no mundo inteiro (e a minha preferida!). O enfoque aqui será o café, certamente o estimulante mais propagado: acredita-se que no Brasil cada cidadão tome em media 300mg de café por dia! Entretanto, a cafeína também pode ser encontrada em outras fontes, como chás, refrigerantes cola, chocolates e medicamentos.

Não se sabe desde quando começamos a utilizar a cafeína. Acredita-se, no entanto, que o café como conhecemos hoje é originário da Etiópia, difundindo-se na península arábica pelo Iêmen e, dos árabes, espalhando-se mundo afora.

A cafeína é um alcalóide, chamado 1,3,7-trimetilxantina. O seu mecanismo de ação no organismo se dá principalmente no sistema nervoso autônomo, por meio da inibição de receptores de adenosina. Esse é um neurotransmissor que age no controle da freqüência cardíaca, da pressão sanguínea e da temperatura corporal. Esse controle da adenosina é o que resulta nas sensações de sono e cansaço.

Como a cafeína inibe os receptores de adenosina, ela bloqueia a ação desse neurotransmissor, causando efeitos contrários: estimulação neural e vasoconstricção. Isso faz com que fiquemos mais dispostos e alertas ao tomar café, causando uma sensação de revigoramento e evitando a fadiga.

O aumento da atividade neural faz com que a glândula supra-renal “pense” que alguma emergência está ocorrendo. Isso faz com que haja disparos de adrenalina, o que vai resultar em taquicardia, aumento da pressão arterial, do metabolismo, da contração muscular e abertura dos tubos respiratórios (isso é um motivo pelo qual a cafeína é indicada para o tratamento de asma!).

Outro modo de ação da cafeína é o bloqueio da enzima fosfodiesterase, responsável pela quebra do mensageiro cAMP, fazendo com que os sinais excitatórios da adrenalina persistam por muito mais tempo.






Além disso, a cafeína também aumenta a concentração de dopamina (nossa conhecida amiga, leia mais sobre ela em posts antigos) no sangue. Suspeita-se que esse aumento nos níveis de dopamina seja o responsável pelo fato de café ser tão viciante.

A cafeína, por ser antagonista da adenosina no tecido adiposo, estimula a atividade da lípase. Desse modo, ela ajuda na mobilização de gorduras dos depósitos, já havendo hoje evidencias do efeito emagrecedor de se tomar uma xícara de café de vez em quando.

Outros efeitos terapêuticos da cafeína além dos já citados também já foram observados, entre eles:

->A melhora da dor de cabeça e enxaqueca, por provocar vasoconstricção (é importante aqui ressaltar que os efeitos da cafeína na freqüência cardíaca e na pressão sanguínea são relacionados à tolerância que o organismo tem a droga. Não são observados esses efeitos em indivíduos que fazem uso regular da substância).
->Alívio de cólicas menstruais, por ter um efeito diurético que faz com que haja diminuição da reabsorção de água e sódio pelos túbulos renais. Isso traz melhora, pois as dores advêm da retenção de líquidos.
->Uso na inseminação artificial para tratamento de espermatozóides hipocinéticos
->Detenção e prevenção do mal de Parkinson. Os estudos sobre a ação da cafeína nessa área ainda estão em andamento, entretanto acredita-se que ela impeça os déficits dopaminérgicos provocados pela doença.
->Tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (DDA), aumentando a atenção focalizada (a ritalina, velha conhecida dos estudantes de medicina, é mais usada que medicamentos a base de cafeína no tratamento dessa doença).
->Melhora no rendimento físico, pela capacidade da cafeína de diminuir a fadiga, possivelmente sobre sua influencia na sensibilidade das miofibrilas ao íon cálcio.


Além do que foi citado acima, estudos estão em andamento sobre a utilidade da cafeína no tratamento de: Alzheimer, diabetes, câncer (principalmente o de pele), entre outros. Para ler mais sobre as descobertas do café (e vale a pena ler alguns dos artigos, que são muito interessantes), recomendo o site coffeescience.org, que é bastante completo =)

Depois de todos esses prós, quais seriam os contras da cafeína?

O problema do consumo dessa droga em excesso aparece, na verdade, em longo prazo. A reação da adenosina é muito importante para o sono, especialmente para o sono profundo. O tempo de meia-vida da cafeína no organismo é de aproximadamente 6h. Portanto, se você consumir, por exemplo, uma xícara de café as 15h, cerca de 100mg de cafeína ainda estarão no seu corpo as 21h. Portanto, você talvez esteja ate apto para dormir, mas não irá alcançar os benefícios do sono profundo. No dia seguinte, estará cansado e precisará de mais cafeína para se sentir disposto. Isso começa um ciclo vicioso (um dos principais motivos dos produtores de refrigerantes colocarem cafeína na receita- isso faz com que você fique viciado no que está tomando!).



Além disso, estudos indicam que, caso em exagero, há prejuízo no consumo de café durante a gravidez. E pasmem – HÁ COMO SE TER OVERDOSE DE CAFÉ! A dose letal de cafeína em humanos é por volta de 75mg/kg. Fazendo as contas, um homem de 80kg precisaria tomar 150 xícaras de café para morrer.

Contanto que não cheguemos as 150 xícaras, apreciar um bom cafezinho é mais do que recomendado :D


Por hoje é só, pessoal
Até breve!
Maria Eduarda – MED91.




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
www.coffeescience.org
http://ciencia.hsw.uol.com.br/questao531.htm

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