segunda-feira, 12 de julho de 2010

Um pouco de DOPAMINA


Como explicado no post anterior, a dopamina é um neurotransmissor da classe das monoaminas, mais especificamente do grupo das catecolaminas. É um neurotransmissor muito importante no controle do movimento, motivação e cognição, tendo ação estimulante no sistema nervoso central, envolvendo-se nas sensações de prazer e motivação. Consequentemente, a dopamina também está envolvida nos processos de dependência (vício).
estrutura 3D da dopamina

A produção da dopamina ocorre no cérebro pela ativação da enzima tirosina hidroxilase, que converte o aminoácido tirosina em L-DOPA, que, posteriormente, será descarboxilada formando a dopamina. A tirosina é produzida pelo organismo no fígado, através da fenilalanina hidroxilase. Ainda é possível a produção de epinefrina e norepinefrina partindo da dopamina. Veja o esquema abaixo que representa o processo:


Produzida, a dopamina ficará armazenada em vesículas e será liberada nas sinapses (leia mais no post Sinapses Nervosas), provocando estímulos nos receptores adrenérgicos do sistema nervoso simpático e nos receptores dopaminérgicos nos leitos vasculares renais, mesentéricos, coronarianos e intracerebrais, produzindo vasodilatação.

Na verdade, basicamente, os receptores adrenérgicos são estimulados com concentrações mais altas de dopamina, enquanto os receptores dopaminérgicos são mais sensíveis, estimulando-se já nas menores concentrações.

Em concentrações baixas, inicia-se uma vasodilatação mesentérica e renal, seguida de vasodilatação nas coronárias e nos ramos da cerebral média, no entanto, não altera a frequência cardíaca. Portanto é importante para manter a homeostasia. No aparelho digestivo ela diminui o o tônus exofágico e reduz a motilidade intestinal. Aumentando-se as concentrações, percebe-se um aumento na contratibilidade do miocárdio causando um aumento na pressão arterial.

Porém os efeitos da dopamina no sistema nervoso central são os mais interessantes e igualmente complexos. Deixaremos, então, para comentar esses efeitos detalhadamente depois. Mas para ir adiantando (e incitando a cabeça dos curiosos) sabe-se que os neurônios dopaminérgicos agem no controle dos movimentos, e que esse descontrole provoca a doença de Parkinson. Também é conhecida a presença ramificações de neurônios dopaminérgicos no sistema límbico (responsável pelas emoções), e distúrbios nessa região ocasionariam alterações de humor e cognição, surgindo psicoses como a esquizofrenia. E, por fim, a dopamina também age no hipotálamo, mais especificamente na produção de prolactina.

Faremos um outro post para explicar melhor como se dão os disparos dos neurônios dopaminérgicos e a liberação de dopamina, detalhando a relação com seus receptores e transportadores. Ai vai ficar mais fácil entender também como ocorre cada estímulo. Aguardem!


Um abraço, e até a próxima!


Caio César Carvalho - MED 91
Referências Bibliográficas:
http://www.inec-usp.org/cursos/cursoI/aspectos_neuroqu%EDmicos_dopamina.htm
http://en.wikipedia.org/wiki/Dopamine
http://themedicalbiochemistrypage.org/spanish/aminoacidderivatives-sp.html

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