terça-feira, 6 de julho de 2010

SINAPSES NERVOSAS

Boa noite!

Para entender bem de neurotransmissores, é preciso antes compreender neurotransmissão. Através dessas trocas eletroquímicas entre neurônios é que o cérebro analisa e transmite toda a informação necessária para uma perfeita funcionalidade do organismo.

Essas trocas são os chamados impulsos nervosos. Eles viajam através do corpo celular e pelo axônio. Quando o axônio chega ao fim, o impulso deve atravessar pela sinapse, uma área que separa essa terminação axonal do dendrito do próximo neurônio. Portanto, SINAPSE é o local por onde são transmitidos os sinais elétricos de uma célula a outra.

Existem dois tipos de sinapses no organismo: química e elétrica.


SINAPSE ELÉTRICA

Esse é um tipo de sinapse abundante no SNC e no SNP, sendo encontrada também no miocárdio, na musculatura lisa do intestino, em hepatócitos e em células epiteliais do cristalino.

Na sinapse elétrica a transmissão do impulso elétrico é feita diretamente entre as células por meio das junções GAP (para quem dormiu nas aulas de biocel, essa junção é composta por proteínas de membrana que servem como canais de baixa resistência elétrica. Essa junção GAP possui uma estrutura hexagonal chamada conexon, que forma um canal que representa a via de fluxo de corrente elétrica entre as células). Essa forma de comunicação é chamada de transmissão eletrotônica.

Essas junções entre as células tem algumas especificidades em se tratando se sistema nervoso. Nessa região, elas são feitas principalmente por proteínas chamadas conexinas: proteínas de 4 alças transmembrânicas, com terminações N e C no citosol. Seis dessas conexinas formam um canal chamado conexon.






Tais conexons podem se fechar ou se abrir, de acordo com a variação das concentrações intracelulares de Ca++ ou H+. As sinapses elétricas possuem uma transmissão bem mais rápida do que as químicas (ela se dá por meio da emissão de impulsos elétricos). Outra coisa que se pode dizer é que as sinapses elétricas são bidirecionais e tem efeito de curta duração.

SINAPSES QUÍMICAS

As sinapses químicas são as mais comuns no organismo. Elas são bastante específicas, principalmente pelo fato de nelas haver uma transmissão unidirecional de informação.

A sinapse química é a região em que a informação é transmitida por meio de mediadores químicos chamados NEUROTRANSMISSORES. Eles irão atuar em proteínas receptoras da membrana da célula pós-sináptica (um outro neurônio ou um miócito), podendo ter ação excitatória ou inibitória.

Para se entender uma sinapse química, é importante entender como acontece a liberação dos neurotransmissores. O que acontece é o seguinte: No terminal axonal do neurônio pré-sináptico existem vesículas repletas de neurotransmissores (chamadas vesículas sinápticas). Quando acontece um potencial de ação na célul, sua membrana é despolarizada, havendo a indução da abertura de canais de cálcio. O Ca++ se liga à proteínas chamadas "sítios de liberação", que se encontram na superfície interna da membrana pré-sináptica. Essa ligação do cálcio proporciona uma mudança conformacional na proteína, que libera então as vesículas sinápticas.




Essas vesículas, soltas na fenda sináptica, passam para o terminal pós-sináptico. A membrana do neurônio pós-sináptico possui um grande número de proteínas receptoras, que dão continuidade na propagação do sinal: o transmissor alter a permeabilidade da membrana pós-sináptica a um ou mais íons, o que altera o potencial da membrana pós-sináptica (despolarização ou hiperpolarização) e, assim, a informação é propagada.

Os neurotransmissores não podem ficar na fenda sináptica depois que cumpriram sua função. Portanto, existem mecanismos que fazem com que eles retornem para o neurônio pré-sináptico (transporte ativo ou por difusão) ou que sejam destruídos por enzimas específicas. Qualquer alteração desses mecanismos causará distúrbios ao corpo, como no caso de drogas, doenças mentais, entre outros.

Seguem abaixo as fases para a liberação dos neurotransmissores:

  1. Despolarização da Membrana Pré-Sináptica (Potencial de Ação)
  2. Abertura dos Canais de Ca⁺⁺ (influxo)
  3. Fusão das Vesículas com a Membrana (SNAREs)
  4. Exocitose do Conteúdo Vesicular na Fenda Sináptica;
  5. Interação do Transmissor com seu Receptor Específico (na Célula Pós-Sináptica)
  6. Abertura de Canais Pós-Sinápticos com a Entrada ou Saída de Íons, o que causa um Potencial Pós-Sináptico (Hiper/Despolarização)
  7. Reciclagem da Membrana Vesicular
  8. Remoção dos Neurotransmissores da Fenda Sináptica por: Difusão, Destruição Enzimática ou Transporte Ativo para a Terminação Pré-Sináptica.

Abaixo vai um vídeo que ilustra muito bem o que foi explicado acima, em especial a transmissão de sinais por meio da despolarização da membrana. :)






Enfim, é isso aí! Qualquer dúvida sobre o post, é só perguntar (:

Até a próxima,
Maria Eduarda - MED91. (Alterado por Felipe Martins - MED91)

Referências Bibliográficas

- BERNE, R.; LEVY, M.; Fisiologia - 4ª Edição. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro, 2000.
- http://en.wikipedia.org/wiki/Neurotransmitter
- http://www.cerebromente.org.br/n12/fundamentos/neurotransmissores/nerves.html

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